terça-feira, 31 de maio de 2016

inveja?


Nem das pessoas na normalidade da sua residência
Nem dos quantos que vivem da aparência
Nem dos navegantes sem rumo, turistas do mundo
Nem desses vagabundos distantes do conceito sociedade
Invejo! 
O vento que sopra sem vestígio de lamento
Invejo! 
Na opera os quantos homens coordenados 
Invejo!
Todos os recompensados, recebendo ordenados limpos e justos
Invejo! 
Os sentimentos em conceito concreto
Tal como todos os actos inatos, discretos e indirectos
Invejo!
O afecto entre a mãe e o filho desde o corte do feto
Invejo!
O tocar, as carícias de dois pássaros
Que para ambos são desempenhadas com perícias soberbas
Aposto na vida não como uma realidade advertida
Mas sim como uma virtualidade cómica e divertida
Essas palestras prisioneiras e monótonas... 
Para quê? 
Quando podem ser pioneiras e autónomas
Como as regiões da madeira e dos Açores
Para que escrever em casa textos repletos de protestos
Quando todos podem fazer rebeliões com cartazes na rua
Eu só dou valor ao termo irreverente e alternativo
Recorrente à arte no seu esplendor imortal e vivo
Ao ser libertino e activo que eu pouco me revejo,
Mas ai!
Que tanto invejo.

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