terça-feira, 24 de maio de 2016

Sou homem feito!



Sou homem feito!
Hoje por fim saio da lama
Hoje me deito na cama
Montes de dias a dormir perto do parapeito
Montes de dias com fantasmas na minha mente
Montes de horas a ver filmes de terror e drama
Montes de horas a turturar o meu subconsciente
Noites e dias a chorar
Noites e dias a ter pesadelos
Noites e dias a orar e a implorar para que aquele não se torne o novo modelo a seguir
Acordo ás 3 da manha sobressaltado
O plasma ligado 
Assombrado pelos demónios do passado
Sabia que era errado
Devia ter escolhido ver um filme romântico
Mas ao invés elegi um filme de terror
Esta noite foi um horror
Me cobria debaixo dos lençóis ao passo que fazia uma avé Maria
Me lembrava tim tim por tim tim, cada cena
O bicho papão
O  homem todo fumado com cangrena
O interruptor que do nada se apagou
A alma do pobre que afogou as mágoas na bebida e não escapou
Derrapou sem tino na vida
São razões que cheguem para seu coração viver em constante aflição
Depois de tantos e tantos erros não aprendeu a lição
Mesmo com noites recheadas de tanto gueto, guerras e berros, não lhe serviram de nada
A esta alma penada nada serviu
A sua casa está assombrada
Ou então é bruxaria
Tomei comprimidos
Não eram curtos, eram bem compridos
Me salvaram de pestes negras e outros surtos
Me aliviaram
Foram a minha terapia
Iniciaram um escudo de protecção
Acalmaram toda a ansiedade que se gerava em volta do meu coração
Hoje finalmente estou curado
Tomei a vacina
Larguei aqueles filmes que me prejudicavam e que faziam parte da minha rotina
Tirei da minha cabeça a guilhotina e o menino jesus
Colhi uma cruz e a cravei na profundidade do meu coração
Essa cruz foi mais que protecção, foi a minha bênção
Largo todas as taras
Faço menção a coisas raras como o diamante que a amante carrega
Me distancio de todo o mau olhado
Hoje posso dizer que a cama que me deito é o meu braço direito
Tiro proveito em seu preceito 
Hoje posso dizer que aquele sonho a que me proponho, é leve, em contrapartida com os pesadelos que tinha na outra vida
Hoje sou homem feito
E o meu sonho produz o efeito desejado
Sonho com uma vida acima da média
Hoje sou craque em multimédia
Hoje sou craque da poesia e de todos os livros de fantasia
Hoje sou adepto de todos os filmes de terror
Vejo cada um com moderação já e não sinto qualquer alteração no meu estado
Continuo calmo tal como o Deus salmo
Faço do cujo pequenas passagens
E toco no fundo de cada um de vós com tamanhas mensagens
Já me deixei levar por grandes vícios, por coisas tão desnecessárias e banais ao ponto de chegarem a ser virais
Mas felizmente me curei de todo o mau olhado, orei, fiquei curado devido ao jurado que executei com muito agrado
Ri 
Chorei
Abri o olho
A vida convida
A vida é confusa
É uma festa
É difusa
É terna
Mas não eterna
Sim, a minha mãe!
Tal como os meus erros, não são eternos!
Eu sou sonhador
Sonho muito
E por vezes viro pecador
Tanto ato frutiuto
Eu acato com as consequências
Eu peço clemência
A tal que não atinge o vosso cérebro
Tenho consciência que só consta pura inocência
Que não há penitência para tal
O mal é errar
O mal é, não dar conta do caminho que se atravessa, uma vez que o ser humano vai com pressa
Nem pára pra pensar
Nem para com os seus entes queridos compensar os erros do passado
O mal é entrar no ritual e não sair na hora
Uma vez que entrou
Uma vez que se estreou
Não pode sair
Tenho de acatar todas as ordens
A constante luta
A permanente reza
A conduta a que se remete
A tal a que o poeta se preza
É um arrependimento
Com ou sem rendimento?
Com vencimento!
O poeta deve dinheiro
Ele parte o mealheiro e entrega o seu corpo por inteiro
Para quem diz que a vida tá preta então não... é tudo treta!
O homem se massacra, horas preso a uma algema
Ele delineia um estratagema para sair em liberdade
Ele espera o 25 de Abril
Podemos observar traços de um homem febril
Um homem que se estende, com o corpo todo feito numa lástima
O seu cabelo todo porco
Rezou a Deus todos os atos infames que cometeu
É ateu mas se submeteu a uma reza, implora a fauna e a flora
Implora uma vida digna
Implora a que se desvenda o enigma da vida, nessa alhada de vida em que se meteu
Depois de tanta sova que sofreu 
Depois de tantas horas a dar no creu
Depois de tanta precariedade
Finalmente para com o homem um pouco de dignidade 
Hoje com aspecto digno
Hoje finalmente fora do ritual maligno
Hoje já não deita mau hálito 
Foi o hábito constante que o levou a tamanha diferença
Hoje já tem crença pelo senhor
Que o salvou e tirou das ruas da amargura
Uma vida que durou, durou e que hoje se encontra em modo de rotura
O seu interior de caixão á cova
Hoje têm uma alma nova
Sou homem feito!










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