quarta-feira, 11 de maio de 2016

Num recanto sem encanto


Passo horas no recanto
Olhando para quase nada e pensando em tanto
Tantas memórias se aninham na minha cabeça
Tu vens e me invades com a tua presença
Entras nos meus pensamentos cheios de incrementos em fracos batimentos
Tudo é lixo cá dentro
Não fazem ideia, cada vez que me ponho a divagar e não consigo sossegar
Não consigo encontrar qualquer amamento que me possa servir de alento
Tenho tudo e não tenho nada
Apenas um copo de vinho situado á minha esquerda
A perda do senhor me conduziu á dor
Sou um perdedor sem nada, perco o fio da miada
Avisto da minha janela montes de gigantes parados com cara de parvos olhando para as montras
Vejo do meu parapeito meia dúzia de lontras procurando conforto na prodesporto
Logo me viro e me estendo no meu ninho longe dos olhares, desses ares que me fazem mergulhar nas entranhas de um passado inalterado
Vejo o meu olhar roto reflectido no espelho
Uma cara desfigurada de um homem que jamais reconhecerá a felicidade
Não conhecerei ninguém, serei um mendigo sem vintém que não se contenta com o pouco que têm.
Sou um homem negativo que não se contenta com o facto de estar vivo
Se o amor é ignorado, desvalorizado,  que querem que eu faça?
Que celebre a vida com uma taça de champanhe?
Ninguém me acompanha na minha melancolia
Todos lá fora a viver a vida numa folia
E eu.... eu vivo a vida á minha maneira!
Sem tostão na algibeira
Num jardim sem alecrim
Num recanto sem encanto




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