terça-feira, 29 de março de 2016
Dor sem data marcada
Dor chega sem avisar
Nas horas incorretas chega
Entra como um mar a dentro no coração
Inunda todos os orgãos vitais
Sem permissão
Dá-se a procissão
Uma inundação sem alguém que imponha rédeas
Uma carta que chega ao destino
Sem premissão mas deveras as palavras mais bonitas que escutei
As palavras que com algum esforço decifrei
Se encontravam em código morse
Um código de amor que não pedi
Uma carta de amor que vêm sem aviso
A poesia que vêm com palavras bonitas para cima de mim
Não venha com esse paleio
É preciso atitude nas palavras
Não podem entrar desse jeito
Não é assim como voces querem
É como eu quero
Espero un sentimento sincero
As pétalas de malmequer...
Num dia a seguir já ninguem as quer
A primavera se vai sem dar explicação
O verão, praia, calor
Tudo isso se desfaz num ápice
Folha com cheiro a outono entram no coração
Desfazem todo o amor que tinha pela primavera e verão
Com aquele cheiro
Com aquele vento matreiro
Marinheiro se despede
Numa viajem em rumo incerto
Mas sem volta marcada
O encontro com o mar
Encontro eterno...
Com o mar de inverno
Que leva sem avisar
A brisa gelada
A incompleta consoada
Meia duzia de seres
Esperando o presente
O presente invenenado
Um prato nunca se servira tão frio
Um prato com um sabor
A angustia, dissabor
Porque ficou num impasse o pai natal
Num nevão fatal
Se ficou pelo polo norte
Uma surpresa desagradável
Meninos ansiavam ver o pai natal
Triste promessa nunca se chega a cumprir
Era tudo a fingir
O presente que chegaria hoje
O pai natal que devia estar perto mas está longe
Um pedido que não se realiza
Um par de gente na mesa que não socializa
Porque é uma grande mentira esta consoada!
Foi um engano pior que um dissabor sem sabor
Montes de meninos de mão dada
Esperando ver o preconceito em declinio
Ver a fome chegar ao fim
Numa espera inutil
Mesma coisa que o pai natal existir
E saber que a sua existencia é a fingir
Vamos caiam na real
Não existe pai natal
A mortalidade não irá terminar
Enquanto mentes desiquilibradas continuarem a assassinar
O fim do preconceito racial não terá data marcada
Os carinhos, gestos bonitos em forma de contradição é tudo fachada
Não há pior dor que aquela que vêm sem avisar
Experimente ser um aniversariante
E a dor vir sem autifalante
Entrar assim no seu peito na sua casa de rompante
E distorçer o rumo da história
Dói não dói?
Porque é uma dor
Que vêm sem avisar
Não deixa sinais nem odor
Ataca covardemente
Porque é fraca
Não ataca de frente
Prefre fazer pela calada
O cupido que erra quando não devia
A flecha em direção ao opositor
Lhe encheu de amor, louco de paixão
A flecha atinge a garota toda satisfeita
E eu ciumento á espreita
Uma dor deveras do tamanho do meu coração
Que devia ser enorme
Mas é pequeno porque meu coração ficou diminuto
Pois sou o suplente o substituto
Deste cupido não tenho muito mais a dizer
A dor se devia refazer
Mas decide vir sem avisar por prazer
No amor
No preconceito
Nos dias de consoada
Dor chega de qualquer jeito
Entra no ceio da familia
Baralha todas as cartas
Baralha o ás de paus com o rei
Baralha a dama com o valete
Baralha e causa indignação
Entra e causa disturbia no jogo
Vence pela dor que pratica sem avisar
Leva gestos
Leva mão
Leva perna
Leva todo o meu glamour
E tranforma em muita dor
Dor essa que chega sem avisar
Que chega para mortalizar
Apaga todo o lamento, toda a emoção
E transforma tudo em senão
O perfume que cheirava a rosas, camélias
Já não têm odor, nem pingo de cheiro...
Todo o meu coração empolgado
Acabou indignado
O marinheiro na sua viajem
Acabou aviado de mala e bagagem
Com destino reservado ao céu
O pai natal que estava no polo norte
Recebeu um presente envenenado
O maior dos presentes a morte
A carta que recebi
Foi deveras a ultima que li
A dona da carta
Ficara em profundo descanso
Para ela era tarde
Para mim era muito cedo
Para receber sua carta de amor, despedida
Uma longa partida...
O preconceito para com os meninos
Sim! o preconceito racial
Nem com desejos nem com suplicas
No chão estendidos como mendigos
A comida a pouca que tinham fora levada pelo vento
Num triste temporal
Num triste lamento
Toda a dor chega para inquietar
Não importa as vezes que voce tente desinfetar
A ferida alastra e mais se agrava
Consome o desejo e o carinho
Cresce á velocidade do vento
E não há cura para tal sofrimento
Isto não é prazer nem divertimento
É a dor que chega sem avisar...
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