segunda-feira, 28 de março de 2016
Palavras á solta
Para entendedor meia palavra basta
É esta a minha industria
Que me acolheu quando estava perdido
Industria essa que hoje em dia fico rendido
Fico refém destas palavras caras
Mas que hoje em dia são dificeis de achar
Palavras desertas, raras
Mas que tocam no intimo de meu peito
Palavras novas recém chegadas
Mas que na madrugada fogem e deixam pegadas
Com o proposito de eu ir em busca delas
Suas marotas, atrevidas
Jogando ás escondidas
Eu poeta caçador
Caçador de palavras, frases
Talvez de frases meias feitas
Mas sou um caçador
Que partiu á descoberta
De palavras de grande explendor
Vão deixando pegada e muita pista
Cada pista é uma suspeita
Cada palavra fácil é um perigo á espreita
Porque as palavras dificeis nao se deixam pegar
Muito menos o meu coração sossegar
Palavras marotas
Fugitivas sem deixar um unico rasto
As pistas já eram
Cada procura é tempo gasto
Pois as pegadas sumiram
Palavras essas nunca mais se as viram
Eu entrei neste ramo
As poesia, as palavras que tanto amo
Ou devo dizer amava
Chegava a venerar, honrar
Mas elas fugiram sem dar noticia
Não sei se foi por brincadeira
Não sei se foi por malícia
Mas fugiram, sumiram
E me deixaram nesta ansiedade
E nos dias de solidão muita saudade
Muita vontade de as ter por perto
Se chegarão algum dia, isso é incerto
Sei que por enquanto continuarão em fuga
Talvez fugindo á rusga
As palavras são calmas não gostam de confusão
Gostam de viver na bondade e na ilusão
Não querem jamais voltar ao dono
Preferem deixa-lo ao abandono
Estou de coração partido
Falta-me algo já sei
Faltam-me as palavras
Sem elas sou um fora de lei
Sem elas sou um ser imperfeito imcompleto
Sem elas não posso ter noção do conceito dialeto
Não posso falar
Me faltam as palavras
Me falta a ginga de poeta
Me falta o sangue nas veias
Me falta o aclarar de ideias
Sem palavras não há razão
E sem razão não há poesia
Não querem regressar
E se elas naão regressarem como posso eu regressar a esta industria?
Que me deu pão , água e palavras
Mas algo que nao sube cuidar
Não dei atenção
Só me preocupava com meu umbigo
Elas a toda a hora a quererem se fazer ouvir
Mas sempre amando o silêncio e a escuridão
E então elas zangadas se foram sem me dar explicação
Não fui correto, não fui leal
Que foi feito daquele sentimento cordeal?
Que foi feito de tudo isso?
Se foram se dar aviso
Mas eu não!
Eu ainda continuo aqui
Talvez sem as palavras que autrora levou
Mas eu permaneço
As palavras fugitivas ainda não esqueço
Porque foram elas que me levaram á ribalta
E é por elas que meu coração de noite ainda sobressalta
As palavras talvez não regressem
Mas pedia que não me esqueçesssem
Depois de tanto tempo tenho palavras novas
Mas as palavras do passado...
Foram as primeiras a me fazer dar na poesia um passo em frente
E ainda permanecem dentro de mim no presente
E faço questão que seja assim eternamente
Pois não posso cuspir no prato onde comi
Certamente as palavras cuspiram
Assim do nada na alvorada partiram
E nunca mais delas se ouviu falar
Destas palavras que no mundo da poesia minha mãos puseram a pedalar
Não pensem que vos vou condenar
Não pensem que este mundo da poesia vou abandonar
Pois foi o mundo da poesia que me descubriu
Porque eu descobri a poesia
Tal não aconteceria
Se eu não descubrisse as palavras
E se as palavras não descubrissem este poeta
Uma relação que durante anos perdurou
Mas que uma devida hora acabou
Mas hoje com novas palavras um novo mundo da poesia começou
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