sábado, 4 de junho de 2016
Uma criança
Hoje acordei
Lavei a cara
Olhei-me ao espelho
O espelho ditava um adulto
Mas eu me sentia uma criança
Qualquer gesto meu suava a criança
Não me assoava como fazem os adultos
Eu ao invés chorava baba e ranho e me deixava assim ficar
Chorava sem parar, mesmo sem ninguém me roubar
Mesmo sem ninguém prenunciar uma palavra que fosse
Saía á rua mas precisava sempre de companhia, de um pilar para me segurar
Se não tivesse entraria em pânico
Qualquer que fosse o resultado do espelho eu me sentia sempre uma criança
Aliás todos temos uma criança dentro de nós
A questão é que por fora também existe uma criança que chora
Por fora existe uma criança que implora a dança do ventre executada pela mãe
Por fora existe uma pequena réstia de esperança de colinho, de brinquedo
Existe um adulto em corpo de criança
Naquela esquina um dia por acaso se avistava um vulto
Avizinhança achava se tratar de um adulto mas se tratava de uma criança..
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