sexta-feira, 3 de junho de 2016

chuva em dia de verão


Olha!
Sente!
A chuva que te molha
O guarda chuva que consente
O triste temporal que não mente
O sol que não abre
A chuva turva
O teu corpo morto que perante ela se curva
E os homens que se encontram cerca, de cabeça para baixo
O fado triste que toca
O velho de cabeça oca
Que sem remédio se rende
Que sem tino deambula de degrau em degrau como um trapo ambulante
A chuva cai
O vento sopra
O homem chora
Porque o verão prometeu ser o seu serão
Sente!
Olha!
Um verão que mente
Diz que vêm mas se perde pelo caminho
Um inverno demente, translocado
Um velho barricado pelas lágrimas de um inverno insólito Presente num suposto dia de verão
26 de Julho, chuva?
É suposto o meu coração chorar?
Era sim num ardente mês de Julho meu coração rejubilar!
Mira
Sente
O trio Odemira
Que conspira perante o triste mês de Julho
Sente
Emociona-te
Fica tocado com o homem amargurado
Fica com o peso na consciência
Sim tu?
Seu Traste com inverno escrito na testa!
És tu que o chamas
Amas o inverno
Eu amo o verão
Tu amas o vazar
Eu proclamo versos de azar
Versos intemporais
Versos de luto em tristes funerais
Versos de um velho sem esperança que sobre as asas da tempestade, um dia por ventura possa chegar a bonança


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