domingo, 29 de janeiro de 2017

Há sempre alguém


Há sempre alguém

Que mesmo longe nos reconhece
Que tão cedo, de nós, não se esquece

Há sempre alguém

Que nos beija na boca
Nos faz ver que a vontade não é assim tão pouca

Há sempre alguém

Que com uma leve carícia nos cumprimenta
Do mesmo modo, o coração acalenta

Há sempre alguém

Que até em câmara lenta
Consegue trazer à tona uma face mais ternurenta

Há sempre alguém que hoje nos quer

Que no dia seguinte não olha para a nossa cara sequer

Há sempre alguém que quando se fala de amor, complica

Ainda diz que assim é que dá pica

Há sempre alguém que corre o risco

De fazer um pequeno rabisco
Depois, apaga-lo com uma borracha
Como se costuma dizer nessa vida
É tal e qual a lei do vai ou racha

Há sempre alguém que nos congela

Seja um, ele ou até mesmo uma, ela

Há sempre alguém que nos faz

Decerto, ter vontade de correr atrás

Há sempre alguém que nos faz querer

Decerto, ir além do nosso ser

Há sempre alguém que nos faz duvidar

Decerto, do passo que estamos a dar

Bom receber tempo de antena

Sinal que vale a pena
Ficar por esse, alguém de quarentena

Há sempre alguém que nos completa

Não fosse, atingido pela mesma seta

Há sempre alguém que está na mira do cupido

Mas que ainda assim opta por se fazer de fingido

Há sempre alguém que tende em desabrochar

Um coração que não quer mais desembuchar

Há sempre alguém que a custo nos convence 

Que como sempre é o amor
Esse senhor que no fim das contas, vence




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