Há sempre alguém
Que mesmo longe nos reconhece
Que tão cedo, de nós, não se esquece
Há sempre alguém
Que nos beija na boca
Nos faz ver que a vontade não é assim tão pouca
Há sempre alguém
Que com uma leve carícia nos cumprimenta
Do mesmo modo, o coração acalenta
Há sempre alguém
Que até em câmara lenta
Consegue trazer à tona uma face mais ternurenta
Há sempre alguém que hoje nos quer
Que no dia seguinte não olha para a nossa cara sequer
Há sempre alguém que quando se fala de amor, complica
Ainda diz que assim é que dá pica
Há sempre alguém que corre o risco
De fazer um pequeno rabisco
Depois, apaga-lo com uma borracha
Como se costuma dizer nessa vida
É tal e qual a lei do vai ou racha
Há sempre alguém que nos congela
Seja um, ele ou até mesmo uma, ela
Há sempre alguém que nos faz
Decerto, ter vontade de correr atrás
Há sempre alguém que nos faz querer
Decerto, ir além do nosso ser
Há sempre alguém que nos faz duvidar
Decerto, do passo que estamos a dar
Bom receber tempo de antena
Sinal que vale a pena
Ficar por esse, alguém de quarentena
Há sempre alguém que nos completa
Não fosse, atingido pela mesma seta
Há sempre alguém que está na mira do cupido
Mas que ainda assim opta por se fazer de fingido
Há sempre alguém que tende em desabrochar
Um coração que não quer mais desembuchar
Há sempre alguém que a custo nos convence
Que como sempre é o amor
Esse senhor que no fim das contas, vence

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