Era uma vez um rei
Sentado no seu trono
Deixado ao abandono
Tudo porque não tinha coração
Tanto que nenhum súbdito por ele tinha respeito
Suas ordens há um tempo para cá já não tinham o mesmo efeito
Tinha um grande cargo
Mas estava redondamente sozinho
À medida do tempo foi-se habituando aquele sabor amargo
Sempre ansiando por aquele abraço, carinho
Mas sua postura às pessoas causava medo
Por isso ninguém o levara a sério
Diz-se que foi por perder seu grande amor
Há quem diga que todas as noites lhe levava uma flor ao cemitério
Desde sua morte nunca mais fora o mesmo homem
Que todos respeitavam e admiravam
Ao invés tornara-se um lobisomem
Perdido na floresta sem rumo na vida
Sempre na esperança que algo mudasse
Que encontrasse a jóia que lhe tornasse num homem melhor
Que as feridas do seu coração lhe curassem
Mas na sua vida não havia qualquer progressão

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