sábado, 11 de março de 2017

Um sem coração


Só hoje é que caí na real

O que é que eu estou aqui a fazer
Será o alheio para comigo, pouco cordial
Ou eu, que não sei às suas expectativas corresponder

Digo que sei para onde vou

Mas a quem quero burlar?!
Se nem eu mesmo, sei onde estou
Assim fica difícil me encontrar

Todo mundo sabe se orientar

Mas eu não sou todo mundo
Gostava de poder, um buraco, escavar
Para no fim, me enfiar bem no fundo

Talvez seja esse o mal

Eu não saber me divertir
Sou eu mesmo, tal e qual
Um prédio prestes a ruir

O professor manda fazer um trabalho

A pares ou em último caso, individual
Para mim é me igual
Vão todos para o caralho!

Mesmo rodeado de gente

Eu vou sentir-me sempre sozinho
Ainda assim
Para a frente é que é o caminho

Tantas vezes que eu gritei

Mas ninguém me escutou
Tenho noção que exagerei
Mas quem nunca errou?

Tento dar a mão sempre de pé atrás
Não quero acabar com uma faca espetada nas costas
Aos poucos, deixei de dar respostas às suas questões
Hoje falo apenas para os meus botões

Não sou nada nessa vida

Apenas uma pessoa mal resolvida
Tudo por culpa da torcida
Que não me deu a atenção devida

No meio da multidão

Sempre houve
Continua a haver
Para todo sempre, um sem coração



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