sábado, 2 de julho de 2016

Sem alma



Onze da noite
É nessa hora que eu penso
Trago um olhar abatido
Tomo um copo de vinho
Sem esperar qualquer gesto de indignação á minha volta
Fecho os olhos e esqueço o resto
Apenas me foco nas fotografias pregadas na parede do meu quarto, e mais um pouco nelas me sufoco
Retratos antigos de criança
Mas em todas as fotografias um olhar cheio de vazio
Um olhar cheio de nada..
Nelas não há amor
Nelas não há esperança
Não tenho forças para aguentar 
Se abre um buraco no chão
Sou engolido, junto com os retratos, esses que não se movem muito menos se comovem com a minha queda
Como posso fugir das malhas dessa maldição que me finta
Que hoje me cavou um buraco
Trinta!
Trinta soluções mas nem uma uma única me serviu de salvação
Coração ferve em pouca água
Coração submerge junto com toda a mágoa
As fotos... essas me aprisionaram mesmo lá em baixo ,no inferno
A sufocar... a sufocar...
A quem ousam tocar?!
Será que não entendem?
Aii retratos ingratos!
Fotografias que não conhecem o dono!
Essa ranhura?
Essa gravura?
Esse não sou eu!
Aiii é um emplastro

Eu sou um astro... sou eu a fonte, a luz o horizonte, que hoje se reduz a nada....
Maldita entranha que me apunhala, me estrangula
A luxuria
A cobiça
A gula
Nem as ver
No fundo das trevas eu não sei o que é...
Sociedade
Privacidade
Porque essas cordas não me deixam um segundo só
Eu vou para a esquerda 
Eu vou para a direita
Mas á minha volta uma seita de fotografias
Não aceitam a minha revolta
Eu dou um berro
Eu grito,
Eu dou um pontapé em cada foto com a planta do pé
Mas... tudo se volta contra mim
O karma não podia ser mais amargo..

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