A mesma seca de sempre
De querer ser independente
Os pais que não deixam
Os filhos que se queixam
Isto é melhor que ir ao teatro
Nem é preciso pagar bilhete
Os meus pais pensam que eu tenho quatro
Anos só porque não abano o capacete
É que eu tenho mais que fazer
À minha mulher, tenho que lhe dar prazer
Se julgam que eu bato mal da cabeça
Por favor, que me ponham numa ala psiquiatra
Lá tenho quem me aborreça
Tenho uma enfermeira que me idolatra
Ainda é muito cedo para ter filhos
Se quer alguém que lhe faça um, peça ao António raminhos
Podem dormir com os anjinhos
Agora comigo é melhor nem tentar
Corro o risco de isto não levantar
A mesma seca de sempre
De querer estar para o mundo, ausente
Para os pais que se acham os donos da razão
Menos drama e mais acção
Tanta coisa só porque eu me magoei no joelho
Querem um conselho
Vivam e deixem viver
Porque senão eu vou-me aborrecer
Já não tenho idade para me armar em bicho-do-mato
O problema é que as pessoas gostam de me fazer de gato-sapato
Jogo à bola mas não sou o Messi
Tenho um telemóvel mas não é da blackberry
Vejo desenhos animados mas nenhum deles é do tom e Jerry
A mesma seca de sempre
Não há quem aguente
A mesma seca de sempre
Não há quem aguente

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