domingo, 31 de dezembro de 2017

No fim da rua


No fim da rua
Existe um tipo meio perdido
Que num triste gemido
Se põe a mirar a lua
Enquanto isso a sua vida continua
Incrível como ninguém consegue ver
Que esse tipo tem uma doçura e um desprazer enorme em viver

Existe um tipo nesse planeta
Que se distingue dos outros seres
Na mão tem a folha e a caneta
Só ele consegue cumprir com êxito todos os deveres

Enquanto os demais comunicam com as paredes
Eu comunico com o mar
Lanço as redes
Ponho-me a rimar
Por anos e meses

Não preciso de pedir desejos
Quando encontro-me de cabeça erguida
Sempre fui da opinião que só sofrem despejos
Aqueles marmanjos que têm muito que se lhe diga
Ainda por cima eu vejo-os
Mas eles não me vêem a mim
Porque eu sei fazer as coisas bem-feitas
Existem muitas suspeitas
É o que acontece por não saberem de onde eu vim

No fim da rua
Não se passa rigorosamente nada
Ninguém actua
A não ser uma certa alma iluminada
A caminho de uma vida nova
Que para si não é assim tão nova

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